APRESENTAÇÃO
Vaza Óleo é uma compilação de todas as informações e dados levantados, conversas e pesquisas e até mesmo entrevistas com pessoas envolvidas no maior desastre ambiental da costa brasileira.
Iremos reunir aqui todos os conteúdos necessários para facilitar o acesso da população e conectar os diversos grupos afetados por esse desastre na busca de soluções colaborativas para os locais impactados.
O objetivo do Vaza Óleo é acima de tudo dar voz para pessoas que vivem nas regiões atingidas e engajar pessoas em prol da conservação ambiental.
ÓLEO NO NORDESTE: O QUE SE SABE ATÉ AGORA?
Apesar dos diversos estudos realizados até agora, a procedência do óleo encontrado nas praias do nordeste permanece desconhecida.
Desde o início do aparecimento das manchas de óleo nas praias do nordeste, já foram retirados mais de 5.000 toneladas de óleo da costa brasileira.
Mesmo com diversas pesquisas realizadas por instituições federais de ensino, órgãos governamentais, ambientalistas e ongs, não houve uma conclusão definitiva de onde o óleo partiu originalmente.
Ainda assim, é de responsabilidade do governo brasileiro descobrir a origem do mesmo e penalizar o responsável com obrigatoriedade de indenização das regiões impactadas, como também de maneira criminal ao que é o maior crime ambiental da história da costa brasileira.
praias, manguezais, rios, e outras áreas afetadas até o momento
Data: 03/01/2020 — Fonte: Ibama
IMPACTO AMBIENTAL
O óleo que chegou ao Nordeste é formado por uma mistura de hidrocarbonetos, entre eles o benzeno, que é cancerígeno.
A limpeza da areia é extremamente necessária, porém é paliativa. O óleo passa por um processo de decomposição e vai liberando metais pesados e outras substâncias tóxicas, muitas vezes de forma microscópica.
Pedras, corais, e arrecifes foram impactados e, conforme já observado, o mesmo aconteceu com a saúde dos animais. Os danos ambientais são permanentes, mas muitas vezes invisíveis.
É VERÃO. PARTIU PRAIA?
Se você pretende visitar qualquer uma das regiões impactadas pelo óleo, não se desespere! A primeira coisa e mais importante, você já está fazendo que é se informar.
Fique atento à praia que você, sua família e amigos estão frequentando. Não houve nenhum estudo definitivo que assegure a qualidade do mar para banho ou pesca. Muitos grupos locais já apresentaram soluções, e se mobilizaram com o objetivo de reduzir danos.
Como vocês sabem, o nordestino é um povo muito acolhedor. Não podemos nos esquecer quem são os responsáveis pela preservação deste nosso paraíso natural. Muito da economia dessas regiões depende exclusivamente do turismo e da pesca.
Pudemos acompanhar na internet como muitos retiravam o óleo da praia com as próprias mãos. Infelizmente, devido a interesses políticos e econômicos, nem todas as autoridades que percorreram o litoral nordestino forneceram informações suficientes acerca do nível de toxicidade do óleo e do mar, ou da possibilidade de pesca na região. Afinal, o que vai ser do turismo se ninguém quiser entrar no mar ou comer peixes?


ENCONTROU ÓLEO NA PRAIA?
Se encontrar óleo na praia, é possível retirar, mas alguns cuidados precisam ser tomados:
A melhor opção é procurar as lideranças comunitárias da região em que você está, com certeza eles saberão te informar o melhor a fazer.
Não pegue o óleo com mão, não cheire, não coloque na boca. Evite o contato direto. A substância é tóxica e pode trazer danos à sua saúde.
Se encontrar fragmentos procure algo na praia para retirar, um graveto, por exemplo. Coloque a substância em um recipiente e procure um lugar apropriado para descartar. Não jogue no rio, mar, lixo comum ou restinga.
Em algumas regiões, pontos de apoio foram criados com palitos de churrasco, recipientes para colocar o petróleo e barris para descarte de material. Busque saber se existe esses locais onde você está.
ME SUJEI, E AGORA?
Óleos para bebês, geleia de vaselina e óleo de cozinha são opções para retirar o petróleo do corpo. Após a limpeza, hidrate a pele.
Não utilize solventes, como aguarrás, thinner, óleo diesel, querosene ou gasolina, para limpar a pele.
QUAIS OS SINTOMAS DA EXPOSIÇÃO AO ÓLEO?
Irritação e dor de garganta, tosse, respiração mais difícil, coriza
Irritação e dor nos olhos, coceira e olhos vermelhos
Dor de cabeça
Vermelhidão da pele
Náusea
Tonturas
Fadiga
Surgimento de feridas
Ao sentir esses ou outros incômodos, busque ajuda médica imediatamente.
COMO AJUDAR?
Precisamos nos conscientizar sobre o que está acontecendo com a natureza do nosso país.
Autoridades devem ser cobradas e nós acima de tudo, devemos fazer nossa parte como agentes dessa mudança.
Os danos causados na costa brasileira são permanentes e irreversíveis. Não é só sobre o nosso verão, é sobre a conservação da natureza que segue em risco.
Observe, registre e compartilhe.
#VAZAÓLEO
epílogo · maio de 2026
SETE ANOS DEPOIS
Quando este site foi publicado, em janeiro de 2020, o derramamento ainda era um mistério. Hoje sabemos mais, mas a história de reparação continua aberta.
A origem
Em dezembro de 2021, a Polícia Federal concluiu o inquérito apontando o petroleiro grego Bouboulina, da empresa Delta Tankers, como responsável pelo lançamento do óleo cru no Atlântico Sul. A PF indiciou a empresa, o comandante Konstantinos Panagiotakopoulos e o chefe de máquinas Pavlo Slyvka pelos crimes de poluição e descumprimento de obrigação ambiental.
Mesmo com a identificação, o Ibama nunca aplicou multa nem sanção administrativa ambiental. Em julho de 2025, a Agência Brasil documentou que a recusa das autoridades gregas e da Delta Tankers em cooperar continua travando o avanço processual.
Os números, hoje
Cerca de 5.000 toneladas de óleo cru se espalharam por mais de 3.000 km de litoral em nove estados do Nordeste e do Sudeste. Pesquisadores da Fiocruz classificaram o episódio como Emergência em Saúde Pública. Em 2024, cinco anos depois, os atingidos compareceram à Câmara dos Deputados para denunciar atrasos em indenizações, falhas de vigilância sanitária e a ausência de um plano de restauração do ecossistema marinho.
Por que isso ainda importa
O ciclo de invisibilização de desastres ambientais no Brasil depende do esquecimento. Republicar este site sete anos depois é um gesto contra esse esquecimento.
Quando os manguezais somem da capa dos jornais, eles seguem contaminados. Quando os pescadores deixam de ser ouvidos, eles seguem pescando o que sobrou. Quando o caso sai da agenda política, ele segue sem reparação.
A memória do desastre é parte do trabalho de impedir o próximo.
PARCEIROS DO PROJETO
O Vaza Óleo só foi possível em 2019 graças a uma rede de pessoas, ONGs, instituições e marcas que se mobilizaram em torno da pauta. Em 2026, este site é um arquivo vivo dessa articulação.
for the Oceans
e dezenas de lideranças comunitárias e voluntários do litoral nordestino que continuam o trabalho.
ACOMPANHE O MOVIMENTO
publicado originalmente por Raul Aragão em 2019
reeditado em maio de 2026